PÁGINA DE IMPRENSA DE PEDRO LARANJEIRA       1 novembro 2009

CRISTÓVÃO COLON


O PORTUGUÊS QUE DESCOBRIU A AMÉRICA







Pedro Laranjeira  



INTRODUÇÃO

HISTÓRIA UNIVERSAL

Desde 1927 que se escreve sobre segredos guardados ou verdades mal contadas da História que há quinhentos anos envolveu a saga dos Descobrimentos.

Fizeram-no Patrocínio Ribeiro, Pestana Junior, Francisco Pinto Cabral, Roiz do Quental, Arthur de Vasconcellos, Mascarenhas Barreto, Manuel da Silva Rosa, Eric J. Steele, Julieta Marques, Janina Zofia Klawe, Paulo Loução, José Ferreira Coelho, Jorge Preto, os irmãos Mattos e Silva, Carlos Calado, Carlos Neves e o casal Manuel Luciano da Silva e Sílvia Jorge da Silva, num trabalho que inspirou Manoel de Oliveira a dedicar-lhes um filme.

Tão fascinante é o assunto que José Rodrigues dos Santos construiu um inteligente romance à volta do português Salvador Fernandes Zarco que como Cristóvão Colombo descobriu o Novo Mundo em 1492… tão fascinante é o assunto que os direitos de "Codex 632" foram vendidos a Hollywood.

Oitenta anos de literatura não mudaram os manuais, mas agora a discussão acabou por se tornar actual.

Não sem polémica, é certo. Evidências sólidas desenterradas por Mascarenhas Barreto, Manuel Rosa, Julieta Marques, Luciano da Silva e outros, têm vindo a gerar discussão e disputa. Prometem perturbação nos livros consagrados da História já escrita, cujos defensores mostram ainda renitência em reavaliar.

Parece provado que o plebeu genovês Cristophoro Columbo existiu de facto, mas parece provado também que não é a mesma pessoa (embora com um nome parecido) que descobriu a América.

São duas pessoas diferentes: Al Gore chamaria a isto "uma verdade inconveniente"…

As evidências são tremendas e no entanto os defensores da "verdade oficial" insistem em ignorá-las. Mas nem às sociedades conservadoras fica bem resistir à adequação a novos conhecimentos.

Há quem diga que reclamar a portugalidade do descobridor é um acto exacerbado de patriotismo, mas a verdade é que não se trata de História de Portugal.

Trata-se de História Universal.

E essa, tanto quanto sei, é património da Humanidade.

MUTATIS MUTANDIS  

Estamos perante uma das mais gigantescas fraudes históricas na memória do conhecimento, da Pré-História aos nossos tempos. Ardilosamente planeada no Século XV, permanece indiscutida há mais de meio milénio.

Comparada com ela, para dar apenas um exemplo, a apresentação de provas falsas para justificar a invasão do Iraque foi brincadeira de crianças… uma sanguinária petro-brincadeira, é certo, mas ainda assim uma brincadeira…

Os portugueses de antanho provaram que não só eram capazes de dar novos mundos ao mundo, como de gerar intrincadíssimos planos psico-estratégicos para enganar os menos esclarecidos, planos que têm resistido, quinhentos anos de evolução mais tarde, à globalização da sociedade de informação e continuam a enganar a opinião pública numa era em que todo o conhecimento está disponível. Do tempo em que a comunicação era feita por envio de carta em mensageiro a cavalo ao tempo em que basta um clique na internet para encontrar tudo sobre tudo, a conspiração entre D. João II e o nobre lusitano que ficou conhecido como "Cristóvão Colombo" tem resistido a todas as investigações e continua de pedra e cal, mesmo depois dos ossos do monarca estarem reduzidos a pó!

Algumas mentes com capacidade de pensamento livre têm conseguido ver para além do nevoeiro da trama. É o caso de Mascarenhas Barreto, Manuel da Silva Rosa, os irmãos Mattos e Silva, Carlos Calado, Sílvia Jorge da Silva, José Rodrigues dos Santos, Santos Ferreira, Manoel de Oliveira, Julieta Marques, Janina Zofia Klawe, Paulo Loução, José Ferreira Coelho, Jorge Preto, Veríssimo Serrão e Manuel Luciano da Silva, entre outros, que têm partilhado com a humanidade uma visão esclarecida… que nada mais parece conseguir que "bater no ceguinho": e ceguinhos somos nós, incapazes de ver o que se grita aos nossos olhos.

Tudo para quê? Para não termos que alterar os livros de História, mudar as placas nas estátuas, confessar que temos sido mais ingénuos que dois portugueses mortos há quinhentos anos?

…só se for para não dizermos em público que enganámos os espanhóis… mas eles já provaram ser hoje um povo capaz de se adequar mais rapidamente à modernidade, abordando com inteligência a evolução dos tempos e sabendo construir um futuro melhor...

...ou então para não criarmos uma espécie bizarra de incidente diplomático com os italianos, que, não parecendo muito interessados em recordar Mussolini e Al Capone, decerto oporão alguma resistência a abrir mão de Cristóvão Colombo…

Tal como hoje, também no passado éramos um pequeno país, menor que Espanha ou Itália, um cantinho da Europa, um alfinete no mapa… e no entanto fomos o povo mais poderoso do mundo!

Saibamos demarcar o "pequeno" que somos do seu correspondente em latim e não sejamos parvos - tentemos, ao menos, estar à altura dos antepassados que morreram antes de os nossos tetravós terem nascido…

Comecemos por perceber que as várias teorias quanto à origem do navegador são apenas um dos muitos pormenores que fazem parte da enorme teia de mentiras construída nesse período.

Trata-se de uma gigantesca trama histórica organizada com fins políticos bem definidos e com pleno êxito, como a extensa literatura sobre os factos demonstra quanto à redacção que a História acabou por ter.

O descobridor da América é considerado a segunda pessoa mais conhecida do mundo e também a segunda sobre quem mais se escreveu até hoje, logo a seguir a Cristo.

Envolto em mistérios, que incluíam a sua própria identidade e origem, o navegador foi polémico em vida, bateu o pé a monarcas e afrontou a própria Igreja, no debate do seu mais valioso tesouro: o conhecimento.

O primeiro testemunho registado pela História quanto à sua origem data de 1486, no livro de contas de Pedro Diaz de Toledo, que se refere a Colombo como "El Portugues".

Nunca foi considerado espanhol - aliás, os textos espanhóis classificam-no sempre como "um estrangeiro em Espanha" - mas tem-se tentado fazer crer que seria italiano, nascido em Génova, teoria ora desacreditada, com base em factos históricos não muito difíceis de assertar.

O COLOMBO ITALIANO

A confusão, baseada numa querela sobre heranças que originou um testamento toscamente falsificado, assenta na existência, essa provada, de um tecelão genovês de nome Cristophoro Columbo, que imigrou para o nosso país em 1476.

É interessante cruzar esse facto com uma carta enviada por Toscanelli ao navegador, para Portugal… em 1474.

Também, Bartolomé de la Casas conta que Cristóvão se queixou ao Rei Fernando de Aragão que tinha passado 14 anos a tentar obter o apoio da coroa portuguesa para o seu projecto - Colon abandonou Portugal em 1484, o que significa que em 1470 já cá estava e só seis anos depois o tecelão genovês deixou o seu país, isso são os próprios documentos notariais genoveses que o atestam.

Portanto, é simples perceber que o tecelão genovês e o navegador são duas pessoas diferentes.

No entanto, quer por mera desatenção e falta de rigor, quer por ter sido cronista-mor do reino e, como tal, estar obrigado a proteger os segredos com que D. João II prenunciava o Tratado de Tordesilhas, o historiador Rui de Pina (1440-1522) chamou-lhe “Colombo ytaliano” e todos os que se lhe seguiram limitaram-se a copiá-lo, sem verificar...

UM PLEBEU E UM NOBRE,
UM IGNORANTE E UM SÁBIO

Seria impensável considerar que um plebeu cardador de lãs de Génova pudesse ter a cultura fenomenal demonstrada pelo navegador, saber latim, grego, espanhol, português, hebraico, ser versado em filosofia, cartografia, cosmografia e navegação… ou vir a casar com uma nobre, como ele fez em 1479 ao desposar D. Filipa Moniz Perestrelo, filha de Bartolomeu Perestrelo, capitão donatário de Porto Santo, descendente de Egas Moniz e familiar de D. Nuno Álvares Pereira. Isso era impossível no século XV. Impossível. Os primeiros dois casos registados de casamentos entre classes aconteceram um século mais tarde, entre novos ricos e damas nobres: não existiu um único no século XV.

Para além disso, D. Filipa Moniz não poderia ter casado sem autorização do Rei – o que aconteceu, porque casou de facto: basta que um dia apareça a ordem régia, provavelmente na poeira de alguns arquivos religiosos guardados sem consulta posterior, para neles se encontrar... o nome verdadeiro do marido.

Dois factos contribuíram para que a confusão vingasse: razões de peso por parte do português para não tornar públicas as suas origens e o próprio nome, e as conspirações políticas de D. João II, incluindo os atentados de 1484 que fizeram a coroa não querer levantar ondas e serviram para esconder alianças estratégicas.

O NOME

Sabendo-se hoje que "Cristóvão Colombo" foi um pseudónimo, a verdade é que "Colombo" nunca ele se chamou, mas sim "Colon", como é referido em todos os documentos da época.

Uma das teorias mais populares é que terá ido para Castela como espião do Rei D. João II, mas então porque não se lhe conhece um nome "de facto" desde que nasceu?

Outro mistério: porque não se interessou Portugal pela proposta descobridora de Cristóvão, numa ocasião em que todas as suas prioridades estavam voltadas para os Descobrimentos e acabou o navegador por oferecer os seus serviços à coroa espanhola?

Outro ainda: porque se lhe sabem todos os passos desde que chegou a Espanha com o plano da viagem e até que a concretizou em 1492 - todos os documentos, todas as relações, até à sua morte em 20 de maio de 1506… mas nada anterior a isso?

Sabe-se que esteve em Portugal, mas não há registos … Porquê?

O MISTÉRIO

A resposta só pode ser uma, de extrema simplicidade: porque se está à procura do nome errado! Em determinada altura da sua vida, ele teve que mudar de nome e criar um pseudónimo - portanto, quaisquer referências anteriores a isso seriam com outro nome.

Por outro lado, não menos importante: um homem claramente de sangue nobre (ou não teria acesso aos mais altos círculos da nobreza de dois países, como teve), não desaparece de repente sem o conhecimento e cooperação de, pelo menos, dois tipos de pessoas: as que detêm o poder e as de sua família.

Isso terá decerto ajudado a que, tanto umas como outras, tenham contribuído para que quaisquer referências à identidade desaparecida, quer documentais quer orais, fossem escondidas, destruídas ou omitidas a partir daí.

Mas porquê toda esta trama? Decerto a nobreza mais influente do mundo não ia envolver-se na fantasia de alguém que decide mudar de nome… a menos que fosse parte interessada.

A explicação está na história dos descobrimentos.

A ÍNDIA DESEJADA

Os interesses comerciais da Europa viravam-se todos então para as riquezas da Índia - mas o Império Otomano tinha imposto um bloqueio aos países cristãos e só Génova e Veneza podiam ir buscar as especiarias e outros bens ao Oriente através dos territórios muçulmanos. Essa a razão porque Portugal queria descobrir o caminho marítimo para a Índia: para furar o bloqueio turco-egípcio.

No entanto, Cristóvão queria precisamente chegar à Índia, mas viajando para Ocidente… porque não se interessou D. João II por essa proposta?

Muito simples: porque já sabia que existiam terras a ocidente e que estas não eram a Índia das riquezas mas apenas um belo continente de povos seminus, muita vegetação e pouco ouro.

E como sabia?

A GRANDE DESCOBERTA DE
MANUEL LUCIANO DA SILVA

Porque conhecia viagens anteriores às Américas, feitas em segredo. Vigorava então uma política de sigilo, para não despertar as cobiças da concorrência espanhola. 68 anos antes da descoberta de Colon, a Carta Náutica de 1424, de Zuanne Pizzigano, mostrava as "Antilhas", com nomes portugueses: Antília, Satanazes, Saya e Ymana - Manuel Luciano da Silva veio a descobrir em 1986 que estas "Antilhas" são de facto a Nova Escócia, Terra Nova, Península de Avalon e Ilha Prince Edward.

Para sul, acredita-se que a "descoberta" do Brasil por Pedro Álvares Cabral em 1500 tenha sido apenas a "descoberta oficial" de uma terra já antes visitada em segredo por portugueses. Existem testemunhos da presença portuguesa na América do Sul em 1493 (Estêvão Fróis em carta dirigida a D. Manuel) e mesmo cerca de 1480 (testemunho de colonos pioneiros ao francês Jean de Léry).

A CONSPIRAÇÃO

Eram tempos conturbados, em 1483 houve uma conspiração para matar o Rei, organizada pelas Casas de Bragança e Viseu com o apoio dos reis católicos e fidalgos portugueses, entre os quais o próprio Colon. D. João II resolveu a coisa, mandou executar os conspiradores, o Duque de Bragança foi degolado em Évora e o rei apunhalou pessoalmente o irmão da rainha. Quem conseguiu, fugiu para Espanha, incluindo o nosso Cristóvão, em 1484.

Mas D. João II teria, anda assim, um papel para ele... ou talvez que esta "fuga" tenha sido encenada por combinação entre Colon e o Rei, para melhor "distrair" a atenção dos monarcas espanhóis da proximidade do navegador à coroa portuguesa, quando se lhes apresentasse com um plano que se destinava a tirá-los do nosso encalço na rota das descobertas que nos interessavam... como sucedeu.

"VOLTA QUE ESTÁS PERDOADO…"

Desiludido com as recusas dos reis espanhóis em aceitar o seu plano, o navegador escreveu ao monarca português a "pedir perdão" e este aproveitou de imediato e respondeu-lhe para Sevilha, perdoando-lhe, convidando-o a voltar e garantindo-lhe a segurança. Chamou-lhe "xpovam collon, nosso espicial amigo en sevilla" e esclareceu: "porque por ventura terees algum reçeo das nossas justiças por razam de algumas cousas a que sejaaes obligado, nós por esta nossa carta vos seguramos polla vinda, estada, e tornada, que não sejaaes preso, reteudo, acusado, citado, nem demandado por nenhuma cousa ora que seja civil ou crime, de qualquer qualidade".

Em 1488, Cristóvão vem a Lisboa e encontra-se com o Rei, mas mantém-se que este não o apoiará numa expedição para ocidente. Pelo contrário, o apoio de D. João II é auxiliar o navegador, em segredo, a convencer os reis católicos a contratá-lo.

UM PLANO BEM URDIDO

Portugal era então o centro cultural do mundo. Esse homem extraordinário que foi o Infante D. Henrique, o verdadeiro "pai" da globalização que hoje está tão na moda e que a iniciou, tinha montado em Sagres a melhor academia que jamais existira, rodeando-se de sábios de renome, incluindo muçulmanos e judeus, que contratava e a quem pagava ordenados.

Os reis espanhóis eram consideravelmente ignorantes, comparados com a cultura portuguesa. D. João II achou que eram fáceis de enganar… e conseguiu-o, com Colon como peão.

Dizer que ele foi um espião ao serviço do rei não explica bem as coisas, ele foi um agente, sim, um instrumento usado pela coroa portuguesa.

Queria concretizar um plano, e o rei proporcionou-lho, intervindo com a influência e ajuda necessárias para que os espanhóis embarcassem na aventura. Portanto, agarrou a oportunidade e colaborou em toda a linha.

Repare-se que foi nessa ocasião, coincidindo com a data em que Colombo estava em Portugal com D. João II, que Bartolomeu Dias regressou a Lisboa com a notícia de ter dobrado o Cabo da Boa Esperança, o que confirmou o que o rei já sabia: que era por aí que chegaria à Índia. Mas sucedeu uma coisa estranha: isto foi em 1488 e Portugal só enviou Vasco da Gama dez anos depois… porquê?

A resposta explica porque D. João II precisava de Colon.

TORDESILHAS

Uma vez conseguido o acesso às riquezas da Índia, Castela iria querer uma fatia e tentaria obtê-la a todo o custo, nem que fosse através da guerra. O Tratado de Alcáçovas/Toledo definia a posse dos territórios, dava as Canárias a Castela e a Portugal a Madeira, os Açores e a costa africana "até aos índios", mas ficava-se por aí. Era preciso que os espanhóis, que tinham conspirado contra a coroa portuguesa, não quisessem também deitar a mão à Índia - para isso era preciso que se convencessem que a tinham conquistado, mesmo que fosse mentira - era aí que entrava Colon. Mas era preciso que não restassem dúvidas legais quanto à posse das terras, portanto era preciso um novo Tratado. Foi assim que nasceu o Tratado de Tordesilhas.

Mas para lá chegar, foi então necessário que Castela fizesse primeiro a sua grande descoberta, que aconteceu em 1492, com a chegada de Colon à terra que Castela julgava ser a Índia mas Portugal sabia que não era.

ENGANÁMOS OS REIS ESPANHÓIS

Foi fácil preparar o Tratado. Foi uma enorme ingenuidade dos espanhóis não perceber porque a coroa portuguesa lhes estava a dar "a Índia" com tanta facilidade … como também não perceberam, quando os termos do tratado propunham que eram propriedade de Castela as terras além de um meridiano cem léguas a ocidente de Cabo Verde porque é que os portugueses mudaram essa latitude para 370 léguas… com isso, ao aceitá-lo, perderam o direito ao Brasil, que seria "descoberto" seis anos depois…

Não tinham maneira de saber… a ciência era nossa e os segredos bem mantidos.

Aliás, o novo texto do tratado, além do Brasil, dada a Portugal também os territórios a Norte em toda a extensão da zona da Terra Nova, de resto descoberta pelo navegador português João Vaz Corte Real 20 anos antes de Colon ter chegado ao Novo Mundo.

Foi em 1472, o que faz de João Vaz Corte Real o verdadeiro "descobridor da América".

Portanto, para voltar à aventura das Índias. Portugal esperou pacientemente que Colon chegasse à América em 1492 e o Tratado fosse assinado em 1494, dividindo o mundo em duas partes, uma para Castela, com o que eles pensavam ser a Índia e outra para Portugal, com a Índia de facto.

DONDE VEIO O DINHEIRO?...

Não foi fácil, no entanto, mas D. João II empenhou-se em que Colon desse o rebuçado a Castela. Para começar, Isabel a Católica não tinha dinheiro que chegasse para a aventura, participou com um milhão de maravedis, mas não era suficiente. Acredita-se que Cristóvão terá contribuido com os 250.000 que faltavam!...

Bom, onde é que ele arranjou esse dinheiro? Constou que banqueiros o financiaram, mas então porque é que nunca nenhum apareceu depois a reclamar os lucros? Por outras palavras, só pode ter sido o rei português a fornecer os fundos em falta, para garantir o plano… mas não existem provas disso, é claro.

Existem, sim, provas do grande empenhamento do monarca na concretização da viagem, ao ponto de ter enviado a Cristóvão, no dia 1 de agosto, dois dias antes da partida da expedição, um precioso instrumento científico de navegação em hebraico, o "Roteiro Calendário", ou "Tábuas de Declinação do Sol".

Parece generosidade a mais... a menos que houvesse um motivo muito forte…

OS MAPAS DE PIRI REIS

Piri Reis era um Almirante otomano que viveu entre 1465 e 1554, de seu nome Hadji Muhammad.

É autor de um Mapa-Mundi que fez em 1513, onde incluiu descobertas de Colon, que citava frequentemente. Esse mapa encontra-se actualmente no Palácio de Topkapi, em Instambul, Turquia e ficou conhecido como "O Mapa de Piri Reis".

Hadji Muhammad era descendente de Kamal Reis, outro Almirante turco, lutou e venceu no Mediterrâneo e na costa ocidental de África as marinhas espanhola, veneziana e genovesa, acabando por ser derrotado pelos portugueses, o que lhe valeu ser mandado decapitar pelo Sultão.

O que há, então, de curioso, sobre estes mapas?

Foram trabalhos começados muito antes do mapa final em 1513, entre os quais o primeiro mapa que incluía as duas costas americanas, do sul e do norte, com exatas referências ao Brasil, que bebeu de navegações portuguesas feitas em segredo antes de 1500.

Piri Reis conhecia a circunferência exata da terra e reproduziu-a com dados referentes à Antártida que datam de uma geografia existente 4000 anos antes de Cristo. Isto mostra que as suas fontes eram muito antigas, o que é comprovado por referências a dados do tempo de Alexandre o Grande (332 A.C.).

Uma experiência curiosa aconteceu quando se tentou sobrepor a área do Mediterrâneo no mapa de Piri Reis com a de um mapa moderno: estava lá tudo, mas fora de sítio.

Até que alguém se lembrou de sobrepor o mapa sobre a superfície de um globo: milagre, ficou tudo no sítio!

Ora bem, chegaram até nós afirmações de que Cristóvão Colon estava na posse dos mapas do almirante turco, que terá sempre tido consigo e levado nas suas viagens. Será verdade?... Tudo o indica, pelo conhecimento exato que tinha dos mares por onde navegou.

Assim, Churchill nunca teve razão ao alegar idiotamente que "Colombo não sabia para onde ia, nunca soube onde estava e tudo isto feito com o dinheiro dos contribuintes". Aliás, como o Tenente Coronel Brandão Ferreira tão humoristicamente costuma comentar, "Colombo sempre soube para onde ia, sempre soube onde estava e, se o fazia à custa do dinheiro do contribuinte, dado que o contribuinte era o espanhol... quanto mais melhor!"

Portanto, a viagem de descoberta do Novo Mundo não foi uma aventura às cegas, foi um projeto baseado no melhor conhecimento que a ciência de então possuia.

A ÍNDIA, FINALMENTE

D. João II morreu em 1495 e já só foi D. Manuel que enviou Vasco da Gama para Oriente, em 8 de julho de 1497. Finalmente, Portugal descobriu o caminho marítimo para a Índia, onde chegou a 17 de abril de 1498. Também, então o Brasil já podia ser "descoberto", o que Pedro Álvares Cabral fez em 22 de abril de 1500, aproveitando a segunda viagem marítima para a Índia.

Mas então donde vem este misterioso personagem, sem uma identidade clara e origens assumidas, que no entanto tem acesso à corte, à nobreza e aos mais altos círculos da nação?...

CONFUSÃO DE IDENTIDADES

O "New York Times World Almanac and Book of Facts 2011" diz na página 682 que Cristoforo Colombo nasceu em 1451 perto de Génova, Itália. Não contesto isso, mas contesto o que diz a seguir: que fez quatro viagens à América… não consta que o tecelão genovês ignorante e plebeu tenha integrado as tripulações de Cristóvão Colon… se me faço entender.

No entanto, a primeira afirmação parece verdade, com base numa acta notarial genovesa de 1470 que refere um "Cristoforo Colombo, figlio di Domenico, maggiori di diciannove anni"... portanto, o rapaz existiu e nasceu, de facto, em 1451.

Mas não falemos desse imigrante que decerto terá tido acesso a qualquer tasca lisboeta (depois de 1476, que foi quando chegou cá), embora nunca aos paços reais, como é óbvio, muito menos à cama nobre onde fez um filho a D. Filipa Moniz Perestrelo.

DATA DE NASCIMENTO

Segundo o próprio Colon, ele terá nascido em 1447. No Diário de Bordo do Santa Maria escreveu: "yo he andado veinte y três años en la mar, sin salir della tiempo que se haya de contar". Este assento data de 21 de dezembro de 1492, durante a primeira viagem: 23 no mar mais 8 em Castela, mais 14 até à idade de poder navegar, tinha 45, portanto nasceu em 1447. Nove anos depois (teria portanto 54) numa carta aos reis católicos escrita em 1501, comenta assim a sua condição de navegador: "ya pasan de quarenta años que yo voy en este uso" - com os 14 de infância, aí estão os 54, em 1501 - logo, nascido em 1447. Duas referências pelo próprio.

Recuemos então meio século e olhemos para o Alentejo.

Era nesse tempo Duque de Beja o Infante D. Fernando, filho de D. Duarte, sobrinho do Infante D. Henrique, de quem foi nomeado herdeiro e de quem recebeu o título de Duque de Viseu.

Dos nove filhos que sua prima Beatriz lhe deu, Leonor viria a ser Rainha, por casamento com D. João II e Manuel viria a ser Rei, aquele que enviou Vasco da Gama para a Índia.

D. Fernando era, portanto, um nobre de cinco estrelas.

                      FEITO NO ALENTEJO

O rapaz prendeu-se de amores (ou de calores, não se sabe), para aí um ano antes da prima, com uma rapariguinha de boas famílias, filha de João Gonçalves Zarco, cavaleiro do reino e descobridor de Porto Santo e da Madeira… e zás, a moça engravida. Chamava-se Isabel Gonçalves Zarco.

O Dr. Manuel Luciano da Silva diz no seu livro que o produto dessa relação "foi baptizado" com o nome de Salvador Fernandes Zarco - suponho que tenha simplesmente usado uma conjugação do verbo "baptizar" com o significado de "dar um nome", uma vez que nesses tempos era muito complicado fazer o correspondente acto religioso a um filho ilegítimo, tanto mais que o avô era sefardita, ou seja, tinha sangue judeu (sefardita significa judeu ibérico, derivado da palavra hebraica para Península Ibérica: : sefarad).

RAZÕES PARA O SEGREDO

Portanto, aqui estão duas razões para ser discreto em relação ao nome e às origens: era bastardo e era judeu. Há quem pense que "Cristóvão" foi uma maneira de disfarçar essa ligação à família judaica, numa época em que a Inquisição ganhava força - acabou por chegar a Espanha em 1478 e mais tarde a Portugal. Ambos os países expulsaram os judeus: Portugal a 31 de outubro de 1497, Espanha a...

3 de agosto de 1492.

Que tem esta data de especial?... 3 de agosto de 1492 foi o dia de partida de Colon para o Novo Mundo, do porto de Palos, no sul de Espanha. Na véspera, o navegador mandou toda a sua tripulação estar a bordo até às 23 horas, o que era inédito em termos de marinhagem. Dá para entender?...

Portanto, faz sentido que um sefardita tente disfarçar-se de cristão: Cristóvão é aquele que carrega Cristo (segundo a lenda, S. Cristóvão atravessou o rio com menino Jesus às costas).

CUBA DO ALENTEJO

Nestas circunstâncias, o Infante D. Fernando fez o que os nobres faziam: despachou a moça para "longe" de Beja para ter o rebento. Foi assim que ela foi parar 20 quilómetros mais a norte, a uma terra chamada Cuba, onde o rapaz nasceu…

E porquê Cuba? Nunca se saberá ao certo, mas há duas razões lógicas: para além da distância do burgo de D. Fernando, há indícios de que por aquelas paragens haveria familiares da jovem Isabel Zarco. Numa pequena aldeia a menos de 15 quilómetros de Cuba, chamada Albergaria dos Fusos, foi recentemente encontrada uma pedra tumular com o nome "Zarco" claramente inscrito.

Esta lápide está na Igreja de Nossa Senhora do Outeiro, cuja origem remonta ao Século XV e que pertenceu ao Convento de Santa Clara de Beja, terra de D. Fernando. Este Convento, por seu turno, deu origem ao Convento de Santa Clara no Funchal, Ilha da Madeira, fundado por João Gonçalves Zarco, pai da mãe do navegador, portanto seu avô.

Não serão demasiadas coincidências?...

Quando, em 27 de outubro de 1492, Colon descobriu a ilha a que chamou Cuba, disse que era "o lugar mais bonito do mundo" - será que foi só pela sua beleza ou cedeu à tradição portuguesa de chamar ao sítio onde nascemos "o mais bonito do mundo"?...

Quanto à legitimidade de berço, muitos bastardos chegaram a altas posições na monarquia portuguesa, uma vez que o seu sangue nobre não podia ser ignorado e era comum "dar a facada no matrimónio" - o preservativo, embora usado desde tempos imemoriais pelos chineses, egípcios e gregos, era muito desconfortável e ninguém se dava ao trabalho de usar tripas de animais ou bexigas de peixe a estragar a “escapadinha”. Nem mesmo se sabe se há verdade nas lendas do Dr. Condom, no século XVII, para evitar que Carlos II de Inglaterra fizesse tantos filhos ilegítimos e só a partir de 1939 a “camisinha de Vénus” passou a ser uma realidade. Também não havia televisão, nem telemóveis para perguntar a toda a hora "estás a fazer o quê, aonde e com quem?"… portanto, eram fabricados bastardos com regularidade e tinham que ser assimilados, à altura da nobreza das suas origens.

IDENTIDADE DUPLA

Não se sabe bem quando Salvador Fernandes Zarco passou a ser Cristóvão Colon, mas sabe-se que depois sempre assumiu ambos os nomes.

Assumiu portanto as origens, incluindo a judaica - quando começou a assinar documentos e inventou, para isso, uma inteligente e bem elaborada sigla, para além de outros indícios que chegaram até nós.

Um deles é o monograma que colocou à esquerda da sigla em muitos documentos, como aqui ->

Sílvia Jorge da Silva descobriu, em 1989, que o monograma é feito a partir da junção das letras "S", "F" e "Z", como em Salvador Fernandes Zarco, assim:

Quanto à sigla, ela é claramente cabalística e implica o conhecimento de três línguas: latim, grego e hebraico.

É a famosa assinatura de Colon:

Como era usual em nominativos, este começa por um louvor a Cristo, em latim: Santus. Sanctus, Altissimus, Sanctus - ainda hoje a Igreja usa esta repetição de "Sanctus". Na segunda linha, o "X" de cruzamento conduz às iniciais de "Maria" e José": X M Y: Filho de Maria e José.

Esta é uma interpretação possível, mas José Rodrigues dos Santos adianta outra, em "O Codex 632", que pode ser uma leitura derivada de estudos da Cabala pelos Templários, em que as duas linhas superiores representam a trindade, com o "Altissimus" a indicar que a leitura ascende da matéria para o espírito, da terceira linha para as superiores, correspondendo-se as letras.

Seria então Sanctus. Sanctus, Altissimus, Sanctus. Xristus Messias Yesus.

Esta é a leitura que um templário cristão faria. Mas estamos perante o aparente disfarce de um judeu sefardita… imaginemos então, em hebraico: "S" seria o shin de Shaday, um nome de Deus, "A" o álefe de Adonai, outro nome de Deus, portanto, Shaday. Shaday Adonai Shaday (Senhor, Senhor Deus Senhor).

A última linha, lida da direita para a esquerda, como deve ser em hebraico, daria "YMX": "Y" de Yehovah, "m" de maleh e "x" de xessed: Yeovah maleh xessed, uma prece judaica: "Deus cheio de piedade".

Duas leituras sobrepostas. Mas há mais. Se lermos a terceira linha em hebraico mas da esquerda para a direita, obtemos "xmi" ou "shmi", que quer dizer "o meu nome" e se depois voltarmos à regra hebraica e lermos da direita para a esquerda, como uma palavra, ficamos com "Ymx" ou "Ymach" - finalmente, as duas leituras seguidas, da direita para a esquerda e da esquerda para a direita: "ymach shmi".

Isto, em hebraico, significa "que o meu nome seja apagado"!…

Mas vamos a ele, ao nome, ou melhor, os nomes.

UMA LINHA, DOIS NOMES

Comecemos por Cristóvão Colon:

Os sinais gregos ":" e "./" correspondem aos actuais "dois pontos" e "virgula, ou ponto e vírgula" - são separadores e chamam-se, em grego "Colon".

O primeiro indica que a frase está contida entre "Colons", portanto que haverá um segundo, a fechá-la. "Xpo" significa Cristo, em grego.

Ferens é uma forma do verbo latino "fero", que significa "transportar através de um vão, como um rio", portanto Xpoferens ou Cristovão, que em português quinhentista seria Cristoforo ou Cristofõm. Portanto aqui está o "nome de guerra": Colon Cristofõm Colon.

"fõm" é um sufixo português que veio a derivar para o actual "vão".

Quanto à inclusão de "Cristo" no nome, coisa que nenhum judeu toleraria, a menos que fosse para disfarçar a origem judaica, o navegador tivera o cuidado, em hebraico, de introduzir a indicação de que "o nome deveria ser apagado".

Agora, já que nesta sigla tudo se lê em duplicado, onde está Salvador Fernandes Zarco?

Vejamos:

Voltamos ao grego "Xpo" - Cristo é sempre referido como o "Salvador", portanto, nada mais transparente.

A seguir vem "ferens" - é uma forma frequentíssima, muito usada na idade média, de abreviar "Fernandes" ou "Fernandez".

Finalmente, repare-se no "S" final - tem uma forma estranha, mas que deixa de o ser se a invertermos: ficaremos perante a décima letra do alfabeto hebraico, "Lamed"… que significa "Membro, Falo, Zarco"

"Colon", em grego, significa também "Membro, Falo, Zarco"…

... e esta?

A propósito, como é sabido, "Fernandes" significa "filho de Fernando".

Nas situações como a do filho de Fernando e Isabel, era usual o varão tomar o apelido da mãe.

Portanto, cá está o Salvador Fernandes Zarco.

Quanto a demonstrar a sua portugalidade, parece suficiente, mas muito mais poderia ser acrescentado: por exemplo, o Papa Alexandre VI, numa bula de 1493, toda em latim, escreve o nome dele em português:

E como se vê não lhe chama Colombo, mas Colon. Noutra bula, no ano seguinte, redige "Cristofõm".

Isto é português: "Cristo" sem "h" e "fõm" com til - não havia, nem há, nenhuma língua no mundo que acentue o "o" com um "til" - apenas o português.

Outros testemunhos:

Investigador espanhol Altolaguirre y Duval: "o dialectismo colombino é seguramente português";

Historiador Menéndez Pidal: "o seu vocalismo tende para o português";

Investigador judeu Simon Wiesenthal: "testemunhas dizem que falava castelhano com sotaque português".

No "Pleyto de la Prioridad", duas testemunhas, Hernán Camacho e Alonso Belas chamam ao Almirante "o infante de Portugal";

O espanhol Ricardo Beltrán y Rózpide, presidente da Real Sociedad de Geografia, escreveu "el descobridor de América no nació en Génova", acrescentando que tinha nascido algures entre os cabos Ortegal (Galiza) e San Vicente (Algarve).

Do punho do próprio navegador, em carta a Diogo Colon:

"Muy caro filo" - com "f", como em português, não com "h", como seria em espanhol.

Todos os testemunhos dizem que falava espanhol com pronúncia portuguesa e escrevia textos cheios de portuguesismos.

Um testamento feito em 1498 desapareceu, terá sido destruído por falsários que, oitenta anos depois, num processo jurídico para determinar os herdeiros, chegaram a tentar substituí-lo, através do advogado Verástegui, por um documento "autenticado" em 22 de fevereiro de 1498 pelo Príncipe Juan, filho dos reis católicos… que tinha morrido em 4 de outubro do ano anterior - tão descuidada foi a falsificação. O tribunal entregou a herança a D. Nuno de Portugal, neto do filho português de Colon.

Para quem escondia as suas origens sem as negar, ainda um outro monograma, que Colon colocou no início das últimas doze cartas ao filho Diogo (na imagem, por cima de "muy caro filo") - trata-se de um monograma judaico, formado pelas letras hei e beth. Lido da direita para a esquerda, "beth hei" corresponde à saudação judaica "Baruch haschem": "Louvado seja o Senhor" e pode também ser lido como uma bênção "Deus te abençoe".

CIÊNCIA: O ADN

Provada que está a nacionalidade portuguesa de Cristóvão Colon, o Dr. Manuel Luciano da Silva, médico de profissão, propôs que se fizesse ainda uma espécie de "prova dos nove", de natureza científica: um teste de ADN.

O processo científico é relativamente simples. A raça humana possui 46 cromossomas dispostos em 23 pares, contidos em cada célula. O mais pequeno desses pares, o 23, determina o sexo da pessoa, na mulher é XX, no homem XY. Os cromossomas são compostos por moléculas de ácido desoxirribonucleico, ou ADN, que a ciência é capaz de analisar. O curioso é que o cromossoma Y do par 23 não se modifica JAMAIS, de geração em geração, ao longo de milhares de anos. Portanto, através da análise do ADN de um parente masculino de Cristóvão Colon, pode fazer-se uma comparação com análise semelhante dos portugueses que se acredita serem seus familiares - se o cromossoma Y for igual, bingo!

COLÓN NÃO ERA ITALIANO,
NEM FRANCÊS NEM ESPANHOL

Esse "Y" foi já extraído das ossadas do filho Fernando e do irmão Bartolomeu do navegador, sepultados na Catedral de Sevilha, pelo professor de medicina legal José Lorente, da Universidade de Granada, que anunciou o facto no canal Discovery, em maio de 2005, confirmando que os "Y" de ambos são, de facto, iguais.

Começaram então a aparecer pessoas que se diziam descendestes de Colon, vindas da Catalunha, Valência, Baleares, sul de França, Lombardia, Ligúria e Piemonte - um total de 477 pessoas.

O professor Lorente fez colheitas e análises de TODOS os candidatos.

Conclusão: 477 resultados negativos. Nenhum era parente do navegador.

Está cientificamente provado que Cristóvão Colon não era italiano, nem francês, nem espanhol !

Será de perguntar… que seria então?

Mesmo para além de todas as provas documentais que existem, a resposta salta aos olhos, não é verdade?

Formou-se uma equipa em Portugal, dirigida pela professora Eugénia Guedes da Cunha, antropologista da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e pelo professor Francisco Corte Real, do Instituto de Medicina Legal.

Essa equipa integra técnicos nacionais e antropologistas da Universidade de Granada, que pretendem analisar restos mortais de nobres portugueses.

Com a aprovação do Arcebispo de Coimbra, a Delegação do Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR) autorizou o projecto, mas um grupo de cientistas que integrava o antropólogo forense Miguel Botella, de Granada, foi impedida de o concretizar.

A Universidade de Coimbra apresentou ao governo um novo pedido, mas foi bloqueado pela direcção nacional do IPPAR e pela Ministra da Cultura , sem resultados até ao momento, segundo declarações do Dr. Manuel Luciano da Silva, que desabafou, ao telefone: "Nenhum governo pode bloquear o avanço da ciência e a pesquisa da História!"

FÉRIAS EM PORTUGAL

Esta é uma história interessantíssima, que merece reflexão.

Depois da tão almejada descoberta do Mundo Novo, na viagem de regresso, seria natural supor que o almirante estivesse ansioso por dar as boas novas aos reis espanhois. No entanto, ao invés de rumar directo a Castela, apanha uma tempestade que o leva para os Açores. Logo a seguir, nova tempestade e… quem diria, vai parar a Lisboa!

Chega ao Restelo a 4 de março de 1493 e pede para falar com o Rei, que só o recebeu cinco dias depois, porque estava em Vale do Paraíso, na Azambuja, fugido da peste.

Entretanto, a 5 de março, foi visitado a bordo por Batolomeu Dias e a 6 e 7 recebeu nobres e cavaleiros de Lisboa. A 8 foi dormir a Sacavém a 9 foi ter com D. João II a Vale do Paraíso, onde passou três dias com o Rei.

Quando partiu, a 11 de março, não regressou à nau, foi até Vila Franca de Xira visitar a Rainha, que o chamara e com quem esteve até à noite. Depois disso, foi dormir a Alhandra. Voltou a embarcar no dia 13. Nova etapa… desta vez até Faro, onde esteve até à noite do dia 14, isto com uma tripulação espanhola ansiosa por regressar a casa e desconfiada destas andanças, os reis católicos à espera de saber que o Novo Mundo tinha sido descoberto e lhes pertencia… e ele a passear-se por Portugal!

Estranho, não é verdade?...

UM PLEBEU IGNORANTE
NO MUSEU DE MAFRA

Julieta Marques é uma investigadora que se tem revelado incansável na busca da verdade e na reposição das histórias mal contadas da História.

Às vezes, as maiores evidências estão debaixo dos nossos olhos e parecemos cegos. Ela não o foi e viu aquilo em que nenhum português reparou nos últimos 280 anos: o fresco que enche o tecto da Sala das Descobertas no Palácio Nacional de Mafra, mandado construir pelo Rei D. João V em 1717, mais de dois séculos após a morte de Cristóvão Colon.

No fresco, o monarca perpetua, pela mão de Cirilo Wolkmar Machado, os grandes feitos de grandes portugueses. Aliás, a Sala é também conhecida por “Sala dos Heróis Portuguses”.

Ora bem, por entre anjos e atlantes, um deus do mar e as figuras femininas de Lusitânia e Europa, estão retratados quatro grandes heróis dos Descobrimentos.


Destacado em cima e à esquerda, o próprio Príncipe Navegador, num escudo em que folhas de carvalho ornam a frase “Infante D. Henrique de Portugal”. À direita, partindo da dúvida de se tratar de Vasco da Gama a vencer o Adamastor ou Bartolomeu Dias, Julieta Marques optou por identificar a figura como Duarte Pacheco Pereira, dado que D. João V queria glorificar a descoberta do Brasil e tudo indica que o cientista dos Descobrimentos lá havia estado dois anos antes da “descoberta oficial”, tendo sido mesmo o primeiro a referir a existência de “pau brasil” naquelas paragens, para além de que integrou a expedição de Pedro Álvares Cabral em 1500. Este aparece no lado inferior direito, empurrado para o seu destino por atlantes alados.

Então e a quarta figura?

Bom, essa, para além da do Infante, é a única que está identificada! Mesmo que não víssemos as correntes de Bobadilha, que amarguraram Colon até à derradeira hora da sua morte, a legenda lá está, clara e precisa: “A CASTILLA Y A LEON NUEVO MUNDO DIÒ COLON”.

Então o que estaria um plebeu cardador de lãs de Génova a fazer no meio de tão ilustres nobres, na “Sala dos Heróis Portugueses”?...

Que é o descobridor do Novo Mundo, é ponto assente. Que se chamava Cristóvão Colon, está ali documentado... que é um “Herói Português” não oferece qualquer dúvida ou discussão!

Probato est !!!

OS NOMES DAS DESCOBERTAS

Um estudo publicado em 1989 por Mascarenhas Barreto realça como é idiota tentar fazer Colon passar por genovês: os nomes que deu aos sítios descobertos no Novo Mundo.

Não existe um único italiano e mais de 40 são portugueses, a maior parte alentejanos.

À primeira ilha descoberta chamou San Salvador (seu próprio nome), à segunda Fernandina (quiçá em honra do pai), à terceira pôs o nome de Isabella (em honra da Rainha que o contratou… ou da própria mãe?) e depois deixou por lá uma extensa lista de topónimos portugueses, como Belém (em Lisboa) ou Cuba: o único sítio no mundo com esse nome, à data, era a vila alentejana.

Outros: Ponta Faro (capital do Algarve e freguesia da Cuba), Graciosa (Açores), Guincho (ilhota na Madeira), Porto Santo (antigo nome de Porto d’el Rei, em Beja, e a ilha onde viveu e nasceu o filho Diogo), Santo Antonio (outro nome que os italianos reclamam e é português), Santa Catarina (costa algarvia, Açores e Madeira), Santa Clara (a 1 km de Beja, também na Madeira e nome do Convento de que a sua tia foi Madre Superiora, em Beja e no Funchal), Trindade (a 6 kms de Beja, Sant’Ana (entre a Vidigueira e Portel e na Madeira), Santa Cruz (aldeia perto de Beja), Santa Luzia (Açores, Cabo Verde e perto de Ourique), Santiago (ilha em Cabo Verde e uma das duas paróquias de Beja - a outra era São Salvador), S. Bartolomeu (nome do irmão e de duas povoações alentejanas, perto de Santiago e Viana), Sanctus Spiritus (Espírito Santo e aldeia a sul de Mértola), S. Jorge (Castelo em Lisboa, ilha nos Açores, cidade em Cabo Verde e porto na Madeira), S. João (aldeia perto da vila de Cuba), Conceição (aldeia junto a Beja e igeja onde está sepultada a madrasta de Colon e quatro dos seus meio-irmãos), S. Miguel (maior ilha dos Açores e aldeia perto de Mértola), S. Luiz (a norte de Odemira), S. Vicente (a sul de Beja), S. Domingos (aldeias alentejanas, perto de Mértola e de Santiago), S. João Baptista, S. Nicolau, Mourão (entre Beja e Évora), Guadiana, Santarém, etc, etc...

Foram estes os nomes que Colon espalhou pelas Caraíbas...

            CONCLUSÃO

E pronto! Está contada a história - não a História, que essa continua coxa. Não foi fácil resumir em sete páginas o que ocupou já milhões delas, das quais uns milhares serviram para enriquecer o meu conhecimento e para me trazer a consciência de que estou a ser enganado pelos doutos defensores de causas próprias que fazem sobre o passado as páginas com que mentem ao futuro, mas também pelos preguiçosos que soçobram ao pânico do trabalho que daria emendá-las.

Não será enredo de novela nem tem o sexo e a violência que deliciam plateias, mas é a História que fica do que aconteceu até sermos o que somos hoje e de como cá chegámos…

… mas continuo a pensar que a verdade é sempre mais bonita que a mentira!

Portanto, acabo com as palavras com que iniciei a abordagem a este assunto: MUTATIS MUTANDIS...

... que é uma expressão em latim que significa "MUDE-SE O QUE TEM QUE SER MUDADO"!  

Nota:

Todos os factos mencionados neste artigo (exceptuando a eventual participação de D. João II no financiamento da viagem de 1492, que é a mera citação de uma conjectura) são baseados em sólida evidência, suportada por documentos que existem.

Bibliografia, videografia, internet, fontes e imagens: “The Portuguese Columbus” e “Colombo Português, Provas Documentais”, de Mascarenhas Barreto, “Cristóvão Colon era Português” de Manuel Luciano da Silva e Sílvia Jorge da Silva, “O Mistério Colombo Revelado” e “Colombo Português”, de Manuel da Silva Rosa, “Português de Estirpe”, de Arthur de Vasconcellos, “Dom Cristovão Colon, um dos vectores referenciais da Ibero-América”, de Jorge Preto, “Cristovão Colom - Um Filho de D. Fernando, Duque de Beja” e “Cristóvão Colom, o Almirante de Nobre Estirpe”, de Julieta Marques, “O Codex 632” de José Rodrigues dos Santos, “Cristóbal Colon, esse (des)conhecido”, de Roiz do Quental, “As Repercussões dos Descobrimentos Portugueses nas Obras de Autores do Século das Luzes”, de Janina Zofia Klawe, “1492, Conquest of Paradise”, de Ridley Scott, “Cristóvão Colombo, o Enigma”, de Manoel de Oliveira, “Colombo Enigma Decifrado”, de Charles Merrill para o Discovery Channel, Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, “pt.wikipedia.org”, “dightonrock.com”, “www.colombo.bz”, “colombo-o-novo.blogspot.com”, “amigosdacuba.no.sapo.pt”, João José Brandão Ferreira, Carlos Calado, José António Machado Pereira, Carlos Paiva Neves, Santos Ferreira, José Ferreira Coelho, Joaquim Veríssimo Serrão, António Pestana Garcia Pereira, Fina d’Armada, Abel Cardoso, Margarida Pedrosa, António Cabós Gonçalves, Francisco Matoso, Paulo Loução, Paulo Mascarenhas Barreto, irmãos Mattos e Silva, Casa Colombo em Vale do Paraíso, Centro Cristóvão Colon, Cuba, Alentejo, Palácio Nacional de Mafra e Museu-Biblioteca da Associação Dr. Manuel Luciano da Silva em Cavião, Vale de Cambra.

TODOS OS DOCUMENTOS E LIVROS MENCIONADOS NESTE ARTIGO, FILMES, REPRODUÇÕES, CLIPS EM VIDEO, IMAGENS, RECORTES DE IMPRENSA, CARTAZES, MINIATURAS DE VELEIROS, PUBLICAÇÕES, BROCHURAS, REVISTAS, JORNAIS, PEÇAS COMEMORATIVAS E ARTIGOS RELACIONADOS COM A VIDA, HISTÓRIA, ORIGENS E FEITOS DE CRISTÓVÃO COLON ESTÃO EXPOSTOS E PODEM SER CONSULTADOS GRATUITAMENTE NO

«MUSEU COLON»

DA ASSOCIAÇÃO DR. MANUEL LUCIANO DA SILVA, EM CAVIÃO, VALE DE CAMBRA, PORTUGAL (GPS N 40º 49’ 21" - W 8º 22’ 48")

TELEFONE (+351) 256 425 966 PARA AGENDAR UMA VISITA GUIADA PELO AUTOR DO ARTIGO

OS ESTABELECIMENTOS DE ENSINO OU OUTRAS INSTITUIÇÕES COM INTERESSE NA REALIZAÇÃO DE PALESTAS, CONFERÊNCIAS OU AULAS SOBRE ESTA MATÉRIA,  PODERÃO CONTACTAR-ME PARA  pedro@laranjeira.com


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