PULSAR

Recortam-se angulosas as esquinas

ao passar nas ruas da cidade.

Penetram incisivos denteados

no coração rolante dos relógios...

Batem secas pancadas no asfalto

os pés de corpos suados!

Saltam lascas do cimento armado

ao pulsar dos martelos nas manhãs.

É duro, incisivo, perfurante,

o sinfónico abrir de vibrações

com que a vida acorda, cada instante!

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in "PULSAR" © 2004 PEDRO LARANJEIRA