INÍCIO

ARTIGOS

PROGRAMA

ANTEVISÃO

FODOGRAFIAS

PARVOGRAFIAS

FODARTE

EXPOFODA

ARTISTAS

NELOQRÓNICAS

A FUNDA SÃO

    II SALÃO INTERNACIONAL ERÓTICO DE LISBOA parceria de reportagem aFundaSão / Pedro Laranjeira  

UM LONGO FIM DE SEMANA SEM TABUS

Lisboa está a tornar-se uma capital internacional de notável vanguardismo em várias frentes.

Assistiu-se nos últimos anos a um crescer de importância da nossa capital no mundo internacional da Moda, com a Moda-Lisboa a tornar-se um ponto indispensável de presença para os costureiros dos quatro cantos do mundo - e para os media que cobrem esse tipo de eventos...

...agora está a tornar-se evidente que o jardim das sete colinas tem uma versatilidade bem característica dos portugueses, com a sua capacidade instantânea de adaptação a novas ideias, mas, acima de tudo, com uma atitude realista face à autenticidade das coisas.

Somos, na Europa (e mais ainda no mundo) - talvez nisso, apenas igualados pelos holandeses - o povo mais tolerante que faz a história humana da actualidade!

É bom que reparemos nisso, nós que temos a mania da inferioridade nacional e prestamos pouca atenção ou damos pouco valor às qualidades de excelência da nossa cultura.

Pergunte-se: porque não fazer o Salão Erótico Internacional em algum de tantos países da Europa que poderiam albergá-lo?... Será que anteviram eventuais problemas com legislações menos liberais que a nossa... ou eventuais desconfortos em manifestações de sectores menos tolerantes de populações locais?...

Porque não duvidem, há por aí muita mentalidade que não vê estas coisas com bons olhos. É certo que ninguém no mundo ocidental é tão fingidamente puritano como os norte-americanos, mas esses também têm uma cultura de pescadinha-de-rabo-na-boca que tende a engolir-se a si própria e gerar mais contradições que os "malefícios" que quer combater, cada vez mais imbuída de um paternalismo fascista que dá aos doutos dirigentes a moral necessária para decidir a que é que o povo deve ou não ter acesso... mas disso é a velha Europa uma saudável alternativa, mais realista, mais liberal, mais respeitadora da individualidade humana e do seu direito à sagrada liberdade, principalmente à que existe em cada um dentro de si próprio e no convívio com os seus íntimos - e na Europa, como disse apenas emparceirando com os holandeses, os portugas são lideres!

Pensem, analisem exemplos e reparem se não é verdade.

A própria lei o reflecte: a que rege a pornografia, sua produção e comércio, a que regulamenta o nudismo e a sua prática social, as que definem as regras e direitos individuais em actos de sexo consensual entre adultos... enfim, a Assembleia da República, por muita bosta que de vez em quando faça - e faz - não tem cedido a tabus, sabe ver as pessoas com olhos de verdade e transporta essa verdade para a Lei!

E quanto à tolerância do povo português...?
Há extremismos, como em todas as culturas, mas são raros neste jardim à beira-mar plantado.
Duas mulheres a beijar-se na rua ou dois homens de mão dada podem ainda provocar ditos e gracejos: mas são tratados com o maior respeito no contacto directo! Em todo o lado!

Que país, na Europa ou no mundo, com cinco praias oficiais de nudismo, tem mais de 150 em que se pode tomar banho sem roupa sem provocar um levantamento popular?...

As portuguesas que sonham com fantasias televisivas de Malibu Beach (e sei do que estou a falar porque já lá estive) deviam experimentar um topless numa praia da Califórnia e a correspondente noite na cadeia, julgamento, condenação e multa, para dar valor às Albufeiras deste país!

É verdade, os portugueses são um povo tolerante e respeitador!

O Salão Internacional Erótico de Lisboa vai ser mais uma forma de o demonstrar. Digo isto com a serena tranquilidade de quem sabe que vão viver-se ali quatro dias de completa candura na exposição pública de ideias, tendências, fantasias, práticas e segredos que não vão chocar ninguém!

Uns gostam de uma coisa coisa, outros doutra, a maioria não vai confessar em público quais, mas compreende-se que a vida privada de cada um é... privada, isso é um direito. No entanto, ninguém terá vergonha de conversar seja sobre o que for, seja com quem for. Vão ver!

A verdade é que este Salão versa uma coisa que faz parte do mais intrínseco à natureza humana e só alguns séculos de tabus artificialmente introduzidos na sociedade conseguiram fazer com que se tenha vergonha de coisas que não são vergonha nenhuma, porque fazem parte da nossa natureza!

Assim se compreende que a palavra "foder" tenha aparecido num dicionário corrente, pela primeira vez na história da nossa cultura, na edição de 2003 da Porto Editora (louvada Porto Editora, por isso) - no entanto, nenhum dicionário anterior foi compilado por alguém que não tenha nascido de um acto de "foder"!

Brincamos...?

Este evento e o berço que o alimenta - a nossa Lisboa - é prova da crescente entrega deste povo à verdade da sua natureza!

Para além do que quer que lá se passe, tem esse mérito!

Seja por curiosidade que se decida a visita, seja para procurar algo que se sabe ou suspeita poder ser interessante, seja apenas para passar um dia diferente, quem lá for sairá mais rico - em experiência e em cultura!

Porque cultura é todo o conhecimento humano, portanto este também!

Pedro Laranjeira